Se é um dos muitos clientes apaixonados pelo SUV compacto da Mercedes, mas pouco adepto do convencional, atreva-se no quase radical 43 e ganha um som digno de ser ouvido, acelerações de desportivo e um GLC que se diferencia de todos os outros... mas que nunca deixa de ser um SUV.

São os grandes motores que esticam os limites e fazem sobressair as melhores virtudes, mas também as limitações. É o que caracteriza este Mercedes-AMG 43, topo de gama da linha GLC que tem feito tanto sucesso entre nós. A alma deste SUV está lá à frente: um V6 biturbo a gasolina muito bem resolvido em todos os regimes. Em contraste com o silêncio da versão híbrida ou o matraquear do Diesel (o GLC ainda não recebeu o novo e muito mais silencioso OM654) este V6 tem uma presença gutural desde o ralenti, com um som encorpado que se mantém até às 4000 rpm e que depois disso grita com notas de tenor italiano, num som cativante e muito saudável mesmo até ao corte. Dá gosto. A par disto tudo vem uma aceleração de verdadeiro desportivo: possante, contínua e sem quebra de ritmos como poderia ser expectável num motor biturbo. É muito impressionante o ritmo que um V6 3,0 litros consegue impor a um automóvel com duas toneladas. A nossas medições conseguiram uns impressionantes 5,2 segundos na aceleração dos 0 a 100 km/h, que se sente desde o fundo da coluna. O arranque é otimizado por uma excelente tração integral permanente, que está sempre a repartir o binário pelas quatro rodas, ainda que em doses variáveis, e pela caixa de nove velocidades, suficientemente rápida, ainda que a sua maior virtude seja a suavidade. São estes exercícios de aceleração, desde quase parado ou já a ritmos lançados, que tornam a condução deste GLC apaixonante. E com 367 cv e 520 Nm também não é difícil dar real uso à inteligência do sistema de tração integral que, em modo Sport+ ou com o ESP desligado, permite que a predominante tração posterior (repartição 31% para a frente e 69% para trás em condição estática) prolongue a deriva de traseira provocada pelo volante e mantida com o acelerador. O resultado é impressionante para um carro com esta altura e peso, mas não é um comportamento natural nem sequer muito apetecível de repetir. O GLC, com este motor, tem prestações de desportivo a sério, mas nunca nos deixa esquecer tratar-se de um SUV, com tudo o que isso implica em termos dinâmicos. E se com a utilização mais modesta das versões Diesel o GLC tem dinâmica de sobra; quando chegam as curvas com mais de 3/4 de acelerador falta-lhe alguma ginástica. A direção não tem a comunicação nem rapidez que se sente num C e as reações da carroçaria nem sempre são lineares: em molhado a frente quebra a aderência mais cedo do que se espera e em seco a carroçaria, primeiro, adorna de forma sensível, mesmo com o modo mais firme e desportivo, e a partir de certo ponto oscila em solavancos. É certo que estas são reações em ritmos limite, e que não se tornam minimamente difíceis de controlar, mas também não deixam saudades. Em compensação, mesmo com as jantes opcionais de 21” e o modo mais firme de amortecimento, este GLC é sempre muito confortável.

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